Postagens

sobre a frugalidade

o livro é desses com a capa ordinária, e tem páginas cujo papel é fino, poroso e vai ficando cada vez mais amarelado. quando você compra, o papel é bege. passados dez anos, tá quase marrom.  mas eis que dia desses, eu lembrei do livro - o que é bem diferente de quando você passa em frente à estante e enxerga um livro. eu tenho poucos livros na minha casa. só guardo os que me tocaram profundamente, e que, por causa disso, eu acho que um dia eu ainda vou ler novamente. mas esse era diferente. eu nem lembrava o que tinha nele. sim, lembrava do assunto, mas não do conteúdo. e lá fui eu relê-lo, tantos anos depois.  eu costumo esquecer de muitas coisas. filmes e livros incluídos. então foi enorme a minha alegria quando encontrei um pequeno trecho sublinhado. sim, apesar de eu não lembrar lhufas, eu já tinha lido aquilo! e agora estou na parte em que os autores falam sobre frugalidade. sobre isso, o houaiss diz o seguinte: 1. moderação alimentar; 2. simplicidade, sobriedade d...

à espera dos sonhos

'eu tive muitos sonhos. mas tipo, dormindo eu fiquei esperando.' ela tinha acabado de acordar, e chegado à cozinha, onde eu preparava o café da manhã meio zonza de tanto que eu tinha sonhado. às vezes ela acorda e vai até a minha cama. mas às vezes eu acordo mais cedo, e então nos encontramos na cozinha. ela adora perguntar o que eu sonhei. e quando ela me pega deitada na cama escrevendo meu sonho no caderno, ela pede para eu contar. eu peço pra ela ela esperar um pouco, senão eu esqueço o que tenho de escrever. ela espera pacientemente. e toda vez que eu tento me livrar de contar o sonho e fecho o caderno, me dou mal. ela percebe. eu não conto tudo. leio uma parte, edito. e ela sempre diz "nossa, só isso?". é claro que ela sabe que não é só isso. às vezes eu escrevo os sonhos que ela conta no caderno dela. é um caderno que eu comprei quando ela ainda estava na minha barriga - na verdade, cada filho tem o seu. mas quem os guarda e quem escreve neles sou eu. as me...

o fim das férias

por que é bom ter amigos? porque eles iluminam o nosso caminho. e alimentam a nossa alma. e depois desses dias todos de muito pensar e nenhum escrever, recebi um texto belíssimo escrito pela lya luft. fiquei emocionada. estava lendo e-mails do trabalho, que jaziam na minha caixa de entrada do outlook tinha quase um mês, quando levo um susto. senti um alívio: minhas férias terminavam em grande estilo. ei-lo abaixo: Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo. Era um bate-papo com uma plateia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.   Foi um momento inesquecível... A plateia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não...

os dias parecem séculos sem escrever

vou espalhando bilhetes amarelos, laranjas e rosas pelo carro, na agenda, e grudados no computador as inspirações vêm e ficam grudadas no papel ela me conta que o marido encontra tempo pra tudo e que é chamado pra mais coisas ainda porque quem não tem tempo é muito eficiente e eu penso em como eu tenho nojo de não ter tempo e nojo de correr e nojo de ver que há dias não escrevo dona rosa fez um bolo fabuloso que eu não comi acabo de colocar os meninos na cama a família está maior com quique e nacho os meninos da costa rica que estamos hospedando sinto uma alegria macia um tipo que nunca tinha sentido de ter esses meninos em casa quando penso em quantas casas de família já dormi quando viajava com a escola devem ter sido muitas viagens porque meu pai reclama até hoje que passou pouco tempo com os filhos que viajavam demais quase todo sábado e domingo e no meio disso tudo eu trabalho feito louca pra deixar tudo organizado pras fabulosas férias que terei dia...

por que odiar a prefeitura de são paulo?

por que uma pessoa odiaria a prefeitura de são paulo? bem, há muitas razões. mas eu vou falar só de uma. a do abandono. ... quem cuida da cidade? ninguém. vamos aos fatos. ... imagine que você more ao lado de uma balada. descontando o fato de a fila ficar na frente do seu prédio três vezes por semana, a balada em si não faz barulho. há isolamento acústico e tal. mas e o lado de fora da balada??? - uma casa alugada ao lado da balada em si serve de camarim para os artistas, que também recebem convidados, e esses convidados gritam "depois" do show que aconteceu dentro da balada. como eles são muito animados, eles costumam conversar e dar gritos até o sol nascer. - o lixo da balada é recolhido quando as pessoas já foram embora da balada, hora em que eu ainda estou dormindo. por volta das 4h, 5h. os sacos com as garradas vazias rolava uma escadaria. depois de eu reclamar, os funcionários não arrastam mais os sacos. somente os carregam, o que faz (um pouco) menos barulho. ...

sobre velocidades

Imagem
fazia muitos, muitos anos que não a via. fiquei olhando, sem ter certeza se seria ela mesmo. foi quando ela me olhou e disse tiiiiita. eu nem sabia que ela sabia o meu nome. e ela me olhava no olho, e escutava com o coração o que eu dizia. ela me olhava e dizia que eu estava muito bonita. e isso ela falou algumas vezes. com seriedade e concentração. eu disse a ela que ela também estava muito bonita. ela riu, sabia que eu estava falando sério também. e então ela diz: você está mais calma. sim, passaram-se uns 17 anos. "você sabe que você era muito acelerada, e essa é a sua questão." ela tinha me visto poucas vezes. e sabia o que eu demorei anos pra descobrir, e que está levando anos para mudar. a minha velocidade. pensei que eu nunca mais escreveria aqui. essa é a árvore que enfeita a rua maria carolina. duas vezes por ano ela fica assim, tomada de flores. o dia era cinza quando tirei a foto. não só os galhos ficam cor de rosa: a calçada fica com um tapete de flores....

o que é importante mesmo?

é um exercício interminável. o tal do foco. a palavra dá um pouco de nojo quando penso que é papo de quem fala em planejamento de carreira - ai que chatice! mas não estou falando de olhar pra fora. estou falando de olhar pra dentro. o assunto é recorrente, e eu tenho de pedir desculpas se por acaso provoco tédio nalguma alma. acho engraçado como as dores de barriga são tão diferentes. os anos passam, e a dor de barriga sempre vem me visitar. dessa vez foi por conta de várias viagens. curtas, mas viagens. então é uma função de onde vai ficar minha filha?, quantas horas demora pra chegar?, será que meu filho aguenta passar a noite no ônibus e ir pra escola de manhã cedo? depois tem a função como-vamos-chegar-ao-aeroporto. e como vamos voltar tarde da noite? depois tem a terceira viagem, em que um fica, o outro vai. e depois terá o dia em que sairei de manhã para levar meu filho até o rio de janeiro, e no fim do dia eu volto pra casa. me sinto tão boba falando de dores de barriga que p...