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o dia das mães em um quase haikai

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amanhã é dia das mães, e descontando o fato de eu ter comprado dois presentes para os meus filhos me darem, eu acho tudo isso uma chatice. se alguém precisa de um dia especial para dizer pra alguém "eu te amo" ou pra dar um abraço, esse alguém não sou eu. e se alguém precisa de uma data para fazer um almoço não usual, também não sou eu. aí que eu recebo de dois amigos queridos um texto, o mesmo texto, em que uma pessoa fala o que ela herdou dos filhos. eu li e achei estranho. primeiro, meus filhos herdaram muito de mim, mas eu, infelizmente, não tenho como herdar nada deles. tenho, isso sim, como abrir meus olhos e meu coração para poder aprender tudo o que eles me ensinam - não sei qual é a lógica, mas filhos ensinam muito mais aos pais do que o contrário. segundo, porque dizer que filho nos ensina a ter medo e nos dá estria é o oposto da minha experiência com a maternidade - que evidentemente não é cor de rosa, mas é divertida.  e então, num guardanapo da companhia ...

a mãe louca voltou

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R$ 16,65. o valor da corrida de uber apitou no meu celular. eu estava no rio, a trabalho. meus filhos estavam em são paulo. e meu filho estava se mudando para a casa da avó dele. era fim de tarde, eu já tinha voltado para o hotel. e já tinha visto várias mensagens do meu filho reclamando que ele não conseguia chamar um carro da cabify. eu sempre reclamei muito, e de tudo. e consegui ensinar esse comportamento para o meu filho. e dentro do gigantesco rol de reclamações, ele pediu para ir morar com a avó dele. não era um pedido recente. fazia muito tempo que ele pedia. a avó dele concordou, depois de uma conversa franca, e ele, prontamente, arrumou a mala no domingo e mudou-se na segunda. antes de ser mãe, eu tive a sorte de ler um texto do khalil gibran sobre filhos. e, desde então, sempre tive a certeza de que meus filhos não eram meus coisa nenhuma. eram da vida. ser mãe é o maior exercício de desprendimento que eu conheço. ... enquanto meu filho se mudava, a minha filha ficava s...

deixando ir

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eu fui criada por uma mãe que era incapaz de manter qualquer coisa organizada. a vida dela era um caos ambulante. a bolsa, as gavetas, os armários, os documentos. por onde ela andava, havia caos: ela estava sempre indo para algum lugar, e sempre tinha de ser rápido, porque ela estava atrasada. talvez o caos assustador em que ela vivia me ensinou o extremo oposto. raramente eu me atraso para chegar a qualquer lugar; minhas gavetas são organizadas e eu sempre sei onde estão as coisas dentro da minha casa. meu armário é quase um quadro zen, e eu estou tentando me livrar da mania das listas, o que é árduo, já que minhas listas me ajudam a ter foco e saber quais são as prioridades do dia, da semana, do mês. não, do mês, não - estou exagerando. dentro da minha vidinha organizada me acostumei a me livrar de tudo o que eu não uso. t-u-d-o. é legal ser organizada, mas doar o que não usamos às vezes pode ser uma obsessão. eu ainda não sei medir se é uma obsessãozinha, uma obsessão crescen...

a poderosa lição dos chatonildos e dos nossos inimigos

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"inimigos, quem tem inimigos além das pessoas do colegial de filmes americanos?", pergunta a minha filha. talvez seja um pouco exagerado usar essa palavra, e eu nem tenho inimigos. mas tenho uma coleção de pessoas de quem eu não gosto. chatinhos em geral, gentes que me irritam, que fazem dizer coisas irônicas das quais depois eu me arrependo. gente que me faz desconfiar das suas intenções, e cujos olhares costumam me incomodar. chatonildos podem nos tirar do prumo, fazer a nossa irritação atingir níveis estratosféricos. às vezes podem nos fazer mostrar o nosso pior, o lado mais mesquinho, mais agressivo, mais abominável. mas eu queria falar BEM deles. e por isso me sentei para escrever este texto. tem um vídeo belíssimo com a monja  Jetsunma Tenzin Palmo sobre paciência , em que ela diz que o antídoto da raiva é a paciência - uma das perfeições, de acordo com o budismo. diz ela que "nossos inimigos são os nossos maiores amigos espirituais, porque eles estão no...

querido monstro, você não vai me pegar. assinado eu.

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diferentemente das propagandas de margarina e das fotos postadas pelos amigos no clima ó-vejam-como-sou-feliz no famigerado Facebook, tem dias em que eu acordo com problemas. não é nada prático, palpável, tipo "quando será que o meu cliente vai efetuar o pagamento que deveria ter sido feito em fevereiro?" ou "será que a greve da escola da minha filha que já dura quase três semana irá se estender por muitos dias?". são problemas imaginários. é a sabotagem, minha amiga íntima e de longa data. que vem em forma de pensamentos nada gentis como ah-que-vida-dura, ó-como-eu-sou-incapaz ou ai-eu-não-vou-dar-conta. um monstro. quanto mais rápido eu ando, maior é a rasteira que posso levar da sabotagem. por isso, já tem uns anos que eu tenho me concentrado para andar mais devagar. foi em 2013, precisamente, que descobri que sentar e praticar meditação era uma cura para a minha velocidade estonteante (mais tarde fui descobrir que queria ensinar isso e estou fazendo formação p...

mamãe vai viajar e já volta

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eu não sei se em todas as famílias funciona assim, mas creio que na maioria, sim. quando tem viagem, seja de filho, de mãe, de mãe com filho ou de toda a família, a mãe é a pessoa que fica mais ocupada com os preparativos. bem, me parece que há algumas exceções. caso da minha amiga que é casada com um homem que não é brasileiro e que cozinha todas as noites. suponho que ele também arrume malas e organize o porta-malas do carro e se responsabilize por outras coisas. mas ele é uma versão-quase-aberração do homem que faz. e então eu peguei um trabalho cujo desenvolvimento exigirá algumas viagens. uma, que aconteceu uns dias atrás, e possivelmente mais uma ou duas. tudo foi preparado com antecedência. um cliente organizado e tranquilo, eu idem ibidem. datas, agendas, cronogramas. tudo certo. e as crianças? eles não são mais crianças. são meus filhos. e exatamente por este motivo desta vez eles, os meus filhos, ficariam sozinhos. deixar filho sozinho não é exatamente um problema. pode...

o farol fechado e a pedestre boba (e feliz)

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Tem uma frase do mestre zen Thich Nhat Hanh que questiona por que estamos sempre correndo. É algo como “todos seremos enterrados quando morrermos, então pra que você corre?” As pessoas que sabem que não devemos correr sempre questionam: por que você está correndo? Onde pretende chegar? A frase me veio à cabeça durante o trajeto que estou fazendo, a pé, da minha casa até a redação da revista onde estou trabalhando por duas semanas. Como o tempo que eu levo de ônibus é igual ou superior ao tempo que eu levo se for andando, e como eu tenho um punhado de quilos que acumulei nos último anos e dos quais quero muito me livrar, decidi andar. Vou pelo caminho mais barulhento, mas mais tranquilo para pedestres. A avenida é larga e tomada de carros, e as calçadas também são largas e tomadas de gente apressada. No dia em que assisti a um vídeo sobre como fazer pedestres parar na hora de atravessar a rua, s enti um grande alívio . O vídeo contava uma história (tipo uma dança que aparecia no ...