Postagens

que falta faz uma mãe

Imagem
senti um alívio quando amauri saiu da estradinha com curvas assustadoras e pegou a SP-050, monteiro lobato, com curvas um pouco menos assustadoras, rumo a campos do jordão. eu estava saindo do meu refúgio do meio do mato resgatada por uma rede de amigos. tínhamos chegado dois dias antes, minha filha e eu. convidamos uma amiga da lívia, mas, com caxumba, ela não pôde ir. lívia tinha ficado boa da caxumba tinha uma semana. eu estava contente. ia passar o fim do ano no meio do mato. enchi o porta-malas de comidas e bebidas - muito de ambos. eu tinha alugado um chalé/quarto, sem sala. mas um dia antes da nossa ida, oskar me liga pra dizer que a casa da onça, essa com sala e cozinha, estava desocupada, e eu poderia ficar nela. foi a nossa escolha, quando chegamos e solange, a caseira, nos mostrou as duas opções de hospedagem. livia aproveita e se joga na rede nossa primeira refeição, quando começou a chover no meio do mato a noite é mais escura. como chovia, nem ficamos olhand...

não pira, menina

ando pelo casa só de calcinha, meio atrapalhada. são 4pm e ainda não almocei - só deixei uns quiabos de molho no limão muitas horas atrás, e me perdi no horário trabalhando. as crianças saíram. e casa está imunda e silenciosa. eu sabia que eu ia trabalhar no fim do ano, mas não pensei que trabalharia tanto. desde o dia 23 à noite, quando saí do escritório, tenho trabalhado. todos os dias, de camisola, de short, de camisola de novo. e agora de calcinha, pra ver se termino logo e vou tomar banho e cozinhar os deliciosos quiabos. e então fiz uma lista de tantas coisas que eu fui juntando ao longo de um ou dois ou três meses, eu não me lembro mais. coisas simples como fechar as contas do mês de dezembro para mandar para o contador; e complexas, como ir até o bairro da liberdade comprar duas luminárias japonesas de papel para fazer a minha sala parecer uma sala e não um lugar que passou por algum conflito. esqueci de pagar a escola, e de fazer uma matrícula. também não combinei com a minh...

eu esqueci que era natal

desta vez, o natal foi chegando mais devagar. uns dois meses atrás, minha filha e eu passamos por algum lugar em são paulo que já tinha uns enfeites cafonas de natal, e ela disse: "mas ainda falta tanto tempo..." sim, faltava muito tempo. e eu, que cada vez mais quero fazer tudo com lentidão, já deveria estar pelo menos pensando que o natal estava chegando. mas eu me dei ao luxo de não pensar, de não lembrar. e então não fiz lista de presentes a comprar, nem de cartões a enviar. não comprei quilos de farinha e açúcar para as crianças fazerem bolachas, nem comprei nada para os professores das crianças - exceção para um par de canecas floridas. não abri o maleiro para tirar todas as caixas com bolas vermelhas e ursinhos de madeira ou tricô, nem pendurei calendários de advento nas paredes, nos quais costumava, nos últimos 12 anos, colocar um chocolatinho por dia, "presente dos anõezinhos" para as crianças. nem presépio, nem árvore. ontem, cinco dias antes do natal,...

you need tranquility

Imagem
eu acho normal falar que eu medito, e falo pra todo mundo. no trabalho, no ônibus, pros amigos, pros conhecidos, pros amigos dos meus filhos. quando você gosta, é fácil. você é um divulgador. e foi assim. um amigo queria saber sobre cursos de meditação, e eu descobri um retiro na bahia. sim. isso mesmo, um retiro na bahia. eu, calma e reservada que sou, disse pra ele, o amigo, que podíamos ir de carro. ele declinou - tanto de carro quanto de avião, não, ele não iria. eu, na hora, não me dei conta. reservei pousada voo e vaga no retiro, e fui atrás de amigos queridos para hospedar meus herdeiros por 12 ou 13 dias. ousadia.  não lembrava que o meu mantra quando meu primeiro filho nasceu era "mãe também é gente", tampouco lembrava que havia anos eu queria ficar em retiro. estava feliz da vida, e fui organizando tudo. trabalhei muito, declinei alguns convites - trabalho, jantar e tals -, consegui hospedagem pras crianças, arrumei as malas delas, coloquei resposta automática n...

fazia muito tempo

fazia tempo que eu não tomava uma cachacinha que eu não dançava feliz que eu não era abraçada com volúpia por um desconhecido fazia tempo que eu não emagrecia que eu não morria de rir que a saia preta não servia e eu ando tonta de feliz tonta de forte tonta de medo eu respiro e penso na cabana onde quero ficar quieta meditando com as minhas preces e morrendo de rir eu tô tão feliz como fazia tempo desde que eu nasci eu não andava ria vivia assim.

A mala do filho

As crianças estão acostumadas a viajar desde sempre. Moramos longe dos avós deles, e também morei nos Estados Unidos logo que meu filho nasceu. Depois o pai deles foi morar no Rio de Janeiro. Viajamos – ou eles viajam – muito. Eles viajam mais do que eu. Então a mala faz parte da vida deles.  Se uma criança não sabe fazer a mala a partir da idade em que já sabe escolher uma roupa – isso seria aos 3 anos? Ou aos 5? 7? Não lembro -, ela vai ter uma certa dificuldade em cuidar da própria bagagem. E talvez se torne uma pessoa que não dá conta de separar umas mudas de roupa pra passar uns dias fora de casa. Mas a maior dificuldade, é claro, é a gente deixá-la arrumar as suas coisas. Ah que trabalho que dá aguentar um filho fazer a sua mala e não ir lá mexer em tudo o que ele arrumou. E assim foi. O João ia viajar hoje com a classe dele. Então pedi que ele separasse as roupas ontem à tarde, e eu ia dar uma olhada – coisa que eu não faço há anos, mas achei que era necessário. Ah ah a...

liv e a vida de verdade

era um documentário. a liv ullmann falava da vida dela e, claro, da relação com ingmar bergman, pai da única filha dela. eu assisti em são paulo. numa sala de cinema. mas tenho a impressão de que foram poucas as pessoas que assistiram. eu tenho adoração por ela e por ele. e depois que vi o filme, minha adoração aumentou. como é difícil viver uma vida de verdade. numa cena do filme, ela diz que tem muita raiva, e que essa raiva ela usa para atuar. noutra parte ela diz que um dia falou pro bergman que achava um saco a carreira dela sempre estar relacionada à dele. ao que ele respondeu que ela era o stradivarius dele, e com ela (liv) ele (bergman) pode tocar/executar a arte dele. e no fim ela conta que nunca tinha usado um avião só pra ela. mas um dia ela teve um pressentimento e alugou um avião para ir a faro, ilha que fica no fim do mundo e onde eles se conheceram e bergman viveu uma grande parte da vida dele. quando ela chegou, teve tempo de se despedir dele, que estava morrendo - e...