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'minha mãe é viciada em celular'

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eu tenho duas amigas mais jovens que eu. uma tem 6 anos, a outra, 7. moramos perto, e elas vêm me visitar de vez em quando. como elas são super hiper ultra jovens, elas tocam a campainha e esperam alguém abrir. elas não me avisam com antecedência. então, quando a campainha de casa toca, mas o porteiro não me avisou pelo interfone que a dona judith ou a dona paula estão subindo, eu sei que são as minhas amigas muito mais jovens do que eu que estão na porta. às vezes eu posso recebê-las. e então as convido para entrar e ofereço algo para beber e algo para comer. como elas são mega jovens, elas respondem com sinceridade. e a resposta é s-e-m-p-r-e sim. querem bolo? sim! querem uvas? sim! querem um copo de água? sim! querem um pedaço de chocolate? sim! se por acaso elas batem na porta quando eu estou trabalhando, eu digo pra elas que aquela não é uma boa hora, que eu tenho de trabalhar, e elas sorriem pra mim, dizem tchau e vão embora. florzinha no meio fio da av. rebouças nós nos...

um ano sem comprar roupas - dia 33

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três dias atrás meu projeto um-ano-sem-comprar-roupas completou um mês. e o que aconteceu nesses primeiros 30 dias? eu achava que a decisão era um enorme ato do coragem, oh my god, acho que vou ter uns faniquitos e vou me dar conta de que sou louca ou vou desistir. que nada. eu não tive nenhum faniquito, sim eu sei que eu sou louca e eu não desisti. nesse ínterim - entre completar 30 dias e eu escrever sobre isso -, a dona Kondo estreou uma série no Netflix, "Tidying Up with Marie Kondo", que aqui na bananalândia foi traduzido para "Ordem na Casa com Marie Kondo". são poucos episódios, oito, e curtos. eu os assisti e eles terminaram antes de eu perceber que estavam terminando. Marie Kondo é uma mulher pequena. é baixa e magra e delicada como uma japonesa. diferentemente de programas sobre arrumação doméstica que proliferam na TV, dona Kondo não fica na casa das vítimas arrumando tudo. ela começa o processo, com direito a ajoelhar-se no chão e fazer uma apresentaçã...

breve relato das férias da mãe

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hoje, 14 dias atrás, meu filho entrou no táxi e foi para o aeroporto. era o começo das férias dele. e das minhas também. as férias da minha filha tinham começado umas horas antes - ela tinha viajado no dia anterior. eu estava trabalhando no dia 18 de dezembro, e não me continha de felicidade. falava pra um e pra outro que as minhas férias já tinham começado. é uma coisa não usual a gente falar em férias quando se está no trabalho. talvez tenha um pouco a ver com a nossa necessidade de colocar tudo em caixas. tem a caixa do trabalho, a caixa das férias, a caixa do fim de semana, a caixa de ficar sério, a caixa de se divertir. estou tentando tirar a minha vida das caixas. ou seria tirar eu mesma de dentro de caixas que eu inventei? boa pergunta. não sei a resposta. fiquei 14 dias em casa, sozinha. e daí? quantas pessoas ficam sozinhas em casa? milhões. bilhões, talvez. mas eu sou mãe, então é raro eu estar sozinha na minha casa por mais do que algumas horas. assim como todas as mãe...

aprendendo a dançar na chuva

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era um SPA. compulsório, mas ainda assim um SPA. labismina planejou os dias em que ficaria sozinha no feriado de natal e ano-novo. planejou do jeito que ela considera planejar. dormir, andar. correr, nadar, ler alguns livros da pilha que só cresce na mesinha de cabeceira. um ou dois dias em retiro (dentro da própria casa) e uma dieta daquelas que nem é bom anunciar entre os amigos porque não tem nada de encantador. como todo planejamento, as ideias de labismina foram abruptamente abortadas. o primeiro dia sozinha em casa transcorreu normalmente. ainda que o silêncio fosse o começo do retiro que não aconteceu. ninguém conversando, ninguém abrindo nem fechando portas senão ela mesma, nenhum ruído de passos, nenhum grito, a palavra mãe não sendo pronunciada nem uma única vez. talvez a única anormalidade tivesse sido o cansaço. labismina sentia-se exausta. justo no começo das férias. mas ela nem desconfiou do que viria. o segundo dia começou como começaria o segundo dia de qualquer pequ...

aproveite(mos) o momento

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a calçada estava cheia de gente, como sempre. e chegando perto do farol para pedestres, na frente da larga faixa para atravessar a avenida, foi ficando mais cheio. eu estava olhando pro chão e reparei num par de sandálias belíssimas. pretas, de couro, sem salto, simples e, aos meus olhos, confortáveis. fiquei olhando pras sandálias e pensando que faz tempo que eu quero ter sandálias pretas, mas agora, no meu ano sem comprar nada para ser guardado no meu guarda-roupa, nada da sandálias nem pretas nem de nenhuma outra cor. levantei meu olhar e percebi que a dona das sandálias também usava um vestido de malha preto tão lindo quanto as sandálias. era uma mulher mestiça, parte oriental e parte traços de um pai ou uma mãe que deram a ela pernas grossas, batatas da perna enormes e quadris largos.  o farol para os carros fechou. e o bando começou a atravessar a rua sobre a faixa larga. a mulher de preto, linda, ia andando com passos curtos e afobados, na frente de todos. tive a impressão...

dia 9 - um ano sem comprar roupas

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passada a euforia de tomar a decisão  de ficar um ano sem comprar nenhuma roupa/sapato/acessório, minha vidinha segue. e eu fiquei pensando, a cada dia que abria meu armário: meu deus, quanta coisa tem aqui dentro! a decisão calhou com um trabalho em que eu tenho de sair de casa - coisa rara nesses dois anos trabalhando como jornalista freelancer em casa. resolvi fazer um inventário do que mora no meu guarda-roupa, que será comparado com um novo inventário em 2019, quando meus 365 dias sem comprar roupas chegar ao fim. fiquei um pouco escandalizada. eu nunca tinha contado as peças de roupa do meu armário. só os sapatos, que há anos tento manter em menos de 20 pares - mais do que isso é muita baixaria. mas contar 26 vestidos me fez parar e contar novamente. não era possível. não interessa que são vestidos de dez anos, vestidos que eu ganhei de amigas, vestidos de mais de dez anos, vestidos de liquidação (um deles custou R$ 49, eu lembro). interessa é que são quase 30 cabides, um ...

dia 1 - um ano sem comprar roupas

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existem as ideias que precisamos amadurecer, dar um tempo para pensar. e existem as ideias que já vêm prontinhas, que não nos deixam em dúvida. hoje enquanto eu meditava eu tive uma ideia desse segundo tipo. na verdade, eu resgatei uma ideia de uns anos atrás que eu nunca tive coragem de pôr em pratica. e agora me parece que este é o momento correto para fazer a ideia virar uma ação. não estou criando nada, mas estou precisando de um desafio para colocar no lugar o meu consumismo. éramos 18 mulheres e dois pequenos rapazes, gustavo, de quase 2 anos, e rafael, de pouco mais de 1 ano. num determinado momento, eu fiquei em silêncio e percebi que o barulho feito por nós era quase ensurdecedor. assim é que é quando mulheres se reúnem, principalmente quando estamos celebrando. eu não lembro de ter feito um swishing - encontro de mulheres para troca de roupas que não usam mais - com tanta gente. talvez já tenha feito. mas costumeiramente somos em menor número. eu ia tirar fotos das comidas...